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Hollywood disruptada.

A indústria cinematográfica não tem como desver isso. Mas será que o público vai querer... ver?

Hollywood disruptada.

Hoje trombei com um vídeo que me chamou muita atenção. A gente sempre soube que esse dia chegaria, mas quando ele chega, ainda assim nos surpreende.

A Higgsfield produziu um longa-metragem de mais de 1h30, usando IA para construir todas as cenas, do início ao fim. Foi o primeiro filme deles totalmente produzido com IA.

Veja: produzido com IA. Não produzido por IA. Há uma diferença grande aqui... a equipe. O filme não se inventou sozinho.

O mais interessante: eles deixaram todos os prompts usados para construir o filme open-source, para qualquer um pegar, modificar e utilizar. Você pode dar uma olhada no projeto aqui.

Porém, agora eles soltaram um novo filme.

Também produzido com IA, mas desta vez estrelado por atores reais também. Bem, atores reais, transportados para o filme através da IA. Ou seja, um processo intermediário entre um filme onde 100% do que você vê é IA e um filme do Nolan que quer fazer tudo o mais artesanalmente possível.

Foram 28 pessoas e 2 milhões de dólares. Destes, 1 milhão de dólares foram em tokens. Tempo de produção: 4 semanas.

A estimativa é que um filme semelhante custaria até uns 100 milhões de dólares e levaria quase 1 ano e meio para ser produzido. Estou falando aqui de algo feito com 2% do custo e prazo de 5% do original.

Eles também deixaram o projeto inteiro open-source, aqui.

As implicações para Hollywood são impossíveis de ignorar

Eu comentei brevemente nesse artigo aqui no Journal: as principais implicações são desconcentração e alavancagem.

Mais gente produzindo filmes de altíssima qualidade visual (e aqui não enalteço o processo, apenas o resultado impressionante) em muito mais lugares, com muito menos recursos.

Mais histórias virando filmes, mais livros sendo adaptados, mais trabalho para cineastas, roteiristas, filmmakers. Sim, eu realmente acredito que essa carreira terá muito mais opções de trabalho agora que é possível fazer coisas incríveis com muito menos. Esse trabalho só não estará mais concentrado em Hollywood.

Quem perde mais? Talvez, atores que não fizeram seu nome. Licenciar imagem e voz de atores conhecidos fará parte dessa indústria, mas o asset principal vai mudar de lugar. Em vez de talento de atuação, o que os filmmakers vão querer é a influência daquele ator e aqui haverá uma interseção enorme com a nossa querida creator economy.

Os produtores buscarão nos atores o quanto eles conseguem atrair de uma audiência que eles já têm, e não necessariamente somente o quão bom em atuar aquele ator é.

Por outro lado, como o volume de filmes tende a explodir, é bastante provável que oportunidades para atores trabalharem nesse modelo também vão aumentar. Especialmente porque, dificilmente, essa indústria escapará de ser regulada.

Eu vejo uma grande possibilidade de regulação no sentido de forçar alguma cota de atores reais para poderem ser veiculados no cinema, por exemplo. Vamos ver como isso vai se desdobrar.

Quem ganha mais? Bom, primeiro os grandes estúdios ganham mais. MUITO mais que todo mundo. Os números do P&L deles tendem a melhorar absurdamente. Não precisamos considerar que terão uma queda de 98% do custo, mas imagine apenas que seja de 30%. É um negócio totalmente diferente e mais atrativo.

Depois, ganha quem antes simplesmente era incapaz de produzir algo assim e agora pode. Muita gente será habilitada a competir nessa indústria. Décadas de gatekeepers estão prestes a cair. Não será mais preciso ter a "bênção" de alguém influente em Hollywood para produzir o seu filme.

Ganham muito também: agências de publicidade, estúdios independentes, cineastas e diretores em início de carreira, empreendedores e até mesmo o teatro como um todo. Talvez seja só a minha opinião, mas eu penso que a experiência do teatro tende a oferecer muito mais sabor a partir daqui.

É um novo momento para Hollywood. E para a creator economy como um todo.

Mas me diga aí, você teria vontade de assistir um filme sabendo que ele foi 100% feito por IA? Onde mora o seu interesse? No conteúdo, ou na forma?

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